Cena #1: Liu Xinglin (China)

Wilderness / Vastidão
Escrita em 1937 por Cao Yu, importante renovador do teatro chinês, Wilderness é um clássico da dramaturgia chinesa moderna. Além de expor a face corrupta do sistema feudal e o desespero dos camponeses por uma vida melhor, a obra perscruta a complexa natureza humana. Controversa, também está repleta de imagens e cores: o vasto deserto, a terra de sonho pavimentada com ouro, a floresta escura, pesadelos fantasmagóricos.
A cenografia criada por Liu Xingling para a montagem do espetáculo com a Beijing People’s Art Theatre, em 2010, é pautada por uma imagem do texto: “A Terra é sombria, a vida escondida lá dentro”. O horizonte distante é como uma esperança inalcançável; a sobreposição das linhas de grama e da arquitetura das casas cria metáforas de brutalidade.
As mudanças radicais trazidas à China pela globalização afetam a visão de Xinglin, que, diante do conflito entre tradição e modernidade, acredita que o principal desafio da cenografia é interpretar a herança cultural local a partir de um olhar contemporâneo.

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Cenografia: Liu Xinglin
Figurino: Wang Hongyi
Desenho de Luz: Hu Yaohui
Direção: Xinyi Chen

Liu Xinglin é cenógrafo, formado na Academia Central de Drama em Pequim, onde leciona atualmente. Criou cenários para inúmeras produções de teatro e ópera. Premiado com a medalha de ouro no World Stage Design (Seoul/ Coreia, 2009), finalista no World Stage Design (Cardiff/ Reino Unido, 2013), foi curador da Mostra Nacional da China na Quadrienal de Praga (2015), que o contemplou com um prêmio honorário pela contribuição à cenografia. Vice-presidente da Associação Chinesa de Cenografia, foi premiado seguidamente pelo governo chinês e em eventos de referência no país, como o Festival do Instituto de Drama, o Festival de Ópera de Beijing e o Festival International de Teatro Exprimental.

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