Desenhos de Cena #1 (2016/ Brasil)

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Desenho de cena como experiência

Desenho de Cena é uma maneira ampla de designar aquilo que fazemos – designers da cena – cenógrafos, figurinistas, iluminadores, sonoplastas e afins. Como cenógrafa tenho buscado uma maneira própria  de contar estórias, de interagir com o espaço, torná-lo vivo e pulsante e, no espaço, dar lugar à poesia, poesia criada com elementos visuais, sensoriais na concepção de cenas ou narrativas que existem por si. Como curadora  tenho defendido o cenógrafo como artista e sua produção como obra, e ainda, apontado e reconhecido a qualidade cênica de obras de artistas visuais, dando continuidade à linha de pensamento e trabalhos que realizei  para a PQ’11 e PQ’15. Assim, além de reconhecer o termo Desenho de Cena como minha própria produção, que pode ser parcialmente vista no item Galeria, resolvi dedicar um projeto intitulado da mesma maneira, afim de reforçar e compartilhar esta minha posição neste momento, provocar o debate e sobretudo, estimular a produção dos artistas que desenham a cena. Proponho, desta maneira, afirmar o  Desenho da Cena como campo fértil de expressão artística e de intersecção entre o Teatro, a Instalação e a Performance. Exploro outras maneira de expor a Cenografia – tema este, de discussões recorrentes e que apresento aqui como possibilidade na prática.

Em 2016, Desenho de Cena tornou-se um projeto.Nasceu do desejo de criar um lugar vivo, um campo rico de experiência através de imagens e composições que se apresentam não apenas como corpos para contemplação, mas que definem um lugar, que desenham o espaço em uma composição cênica; como um PALCO grande e compartilhado, formado por cenas vivas ou arquivadas, no qual as diversas expressões do Desenho da Cena coabitam e dialogam. Oferecendo ao público um lugar no qual habitam diversas histórias, um ESPETÁCULO, diante do qual o público terá a oportunidade de realizar sua própria jornada. Um palco onde as histórias e todos os temas – amor, morte, medo, conquista, realidade, ilusão, etc. existem a partir da interação entre o Desenho e a presença do público e seu repertorio. Um palco no qual o Desenho da Cena é apresentado como experiência, passível de ser vivenciada por todos, independentemente da língua, cultura, origem ou linguagem. Resulta uma maneira diferente de contar uma estória, sem usar palavras, mas que pode ter palavras também; contar uma estória em que a vida emana de elementos aparentemente inertes e de imagens fugidias, de sons, cores, luz, objetos e do movimento. Um projeto

Neste periodo em que acontece em São Paulo, a sua primeira edição Cena#1, torna-se reconhecidamente um projeto pioneiro que destaca o coletivo e o individual, o convívio, em um espaço compartilhado pela produção de um grupo seleto de artistas visuais, cenógrafos, figurinistas, iluminadores, sonoplastas e performers; reconhecidos e respeitados pela sua produção na atualidade e, por vezes, ainda desconhecidos do nosso público e especialistas.  Produções  selecionadas cuidadosamente, aquelas que partem do desenho da cena na concepção de obra instalada e/ou performance; criações de designers e artistas provocadores de rupturas de fronteiras de linguagens, que se revelam transformadores e inspiradores no combate à estagnação e à repetição do mesmo fazer, representantes de diversos países e de todos os continentes.

Apresenta duas formas de narrativas – as Instalações e os Arquivos -que compartilham o mesmo espaço, um espaço permeável desenhado especialmente para o lugar e contexto no qual esta Cena acontece.  As Instalações existem como elementos constantemente em ativação, ou auto-ativados, podendo ter durações variadas, de pontual a permanente, por vezes evoluindo a uma performance; marcam o ritmo da ação neste grande palco, como ‘ATOS’ em uma peça. Os Arquivos, por sua vez, apresentam o repertório dos artistas que expõe neste segmento, como entrelinhas de um texto inexistente, como registros de memória, ou ainda como artefatos transpostos de outros palcos para este, neste contexto, o artista é convidado à explorar a materialidade do objeto/mobiliário arquivo para sua composição, como gabinetes de curiosidades, ou, por vezes inclusive, extrapolando os limites do mesmo.

Aby Cohen

Concepção e curadoria

 

 

Relação de artistas

Antony Gormley (Reino Unido)
Antti Mäkelä (Finlândia)
Bia Lessa (Brasil)
Cris Bierrenbach (Brasil)
Dries Verhoeven (Holanda)
Emma Ransley (Nova Zelândia)
Gavin Krastin (África do Sul)
Giulia Pecorari (Itália)
Ian Evans (Reino Unido)
Laura Vinci (Brasil)
Liu Xinglin (China)
Marina Reis (Brasil)
Peter Mumford (Reino Unido)
Richard Downing (Reino Unido)
Theo Jansen (Holanda)
Valéria Martins (Brasil)

Leia Mais:

http://cultura.estadao.com.br/noticias/teatro-e-danca,vencedora-do-triga-de-ouro–aby-cohen-expoe-obras-de-oito-paises,1856462

 

 

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