PQ’15 Shared Space POLITICS

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PQ’15│ Shared Space  POLITICS  

conceito curatorial para a PQ’15 por Aby Cohen – PQ15 Artisitic Team

http://www.pq.cz/en/program/intro/politics

“ESPAÇO, bem como a arte, quando vê rompidas suas regras pode assumir o status de política”

Enquanto na PQ’11 foi a vez de romper barreiras, redesenhar as fronteiras e desconstruir os limites, explorando a noção de globalização nas distintas maneiras de manifestar a performance e o desenho da cena; para a PQ’15 através do conceito  POLITICS almejamos estabelecer interações, explorar modos de coexistência, cuidando para posicionar o designer da cena no foco do evento e reconhecendo o seu papel crítico e responsabilidade diante daquela que é sua contribuição na performance ao  redefinir o espaço.  O designer como o principal responsável por estabelecer a relação entre palco, plateia, meio ambiente e sociedade, criando uma arena para reuniões, conflitos e narrativas. Um lugar vivo, formado pela sobreposição de camadas de entrelaçamento de ideias que constrói uma identidade plural.

 ‘Espaço como POLITICA’ convida a reunir e representar a multiplicidade de vozes, provenientes dos diversos países e regiões e de seus representantes, de forma coletiva ou individual, propõem um lugar aberto a fim de ouvirmos uns aos outros e motivar as inter-relações, constituindo assim um território no qual narrativas encontram sua materialização e afirmam trajetórias relacionadas às suas próprias temporalidades. É uma oportunidade para criar um ambiente ativo, convidativo à experiência de convívio e fragmentação do espaço; um LUGAR que afirma e apresenta uma forma de organização política diante da qual ninguém pode ficar indiferente. Os curadores da Seção Nacional (Países e Regiões), são convidados a delinear uma nova geografia para a PQ’15 ao optar pelo conceito aqui proposto de SPACE as POLITICS – ESPAÇO como POLÍTICA.

A PQ, nesta 13ª edição, convida a refletir sobre as características do ESPAÇO que o conduzem a assumir o conceito de POLITICA: sua capacidade de interação, divisibilidade e configuração. Refletir acerca de maneiras de ocupação e (re) organização, não apenas o layout, mas como atitude política e como esta afetará os outros curadores nas fronteiras do espaço compartilhado. Desenhando assim territórios compartilhados em comum acordo ou em disputa, a fim de reforçar a percepção de que o espaço não é um corpo estático e sem vida, mas sempre em movimento. Enquanto ao tempo atribuímos o sentido de mudança, o espaço é a dimensão que se desdobra como interação.

INTERAÇÃO – Considera o espaço como o resultado de inter-relações, dando lugar a expressões que trazem em si formas de negociação que buscam debater ou compatibilizar interesses. Ele se configura a partir, e não antes, da presença de identidades/entidades e seu relacionamento, acontece, portanto, na esfera do coexistir, das relações, das negociações, das práticas de engajamento. ESPAÇO como a dimensão na qual se colocam os questionamentos e as articulações da sociedade; na qual se reconhece a heterogeneidade em todas as suas formas, na qual emergem a diversidade, a subordinação e o conflito de interesses. Favorecendo o encontro entre espaço e sociedade na relação estabelecida entre cena, lugar e indivíduo, tanto em termos de configuração física como também de seu tensionamento.

DIVISIBILIDADE (ou Trajetória) – O espaço caracteriza-se ainda por sua dimensão de pluralidade, de multiplicidade, conceitual, dimensional e política. Explora a sua propriedade de divisibilidade na circunstância do movimento e da negociação. Na ação de partilha do Espaço, no movimento pousa a possibilidade de articularem-se diferentes trajetórias e promover o encontro entre as identidades, indivíduos, objetos, narrativas, etc. A divisibilidade do espaço é uma atitude política que delineia diferentes trajetórias, traça rumos e diretrizes, ao mesmo tempo em que pode provocar mudanças e rupturas definitivas. Dividir pode evoca tensão, causar a apreensão, mas ao mesmo tempo mantem o espaço um corpo pulsante de batidas e ritmos distintos, suprimindo a noção de conforto. Delinear uma trajetória baseia-se a atitude de compartilhamento ao definir linhas de divisão, criando uma sensação de tensão. Pode acontecer pelo movimento de passagem, indo de um ponto para outro, atravessando o espaço, definindo e dividindo-o de infinitas maneiras; pode ocorrer simplesmente, pela atitude de ocupar ou posicionar um elemento inerte (ou vivo). O que interessa aqui de fato é que através do movimento e do sentido de ‘trajetória’, o visitante seja conduzido ao LUGAR utópico, no qual queremos compartilhar nossos pensamentos, imaginado, no qual narrativas são materializadas pelos designers da cena. O fluxo contínuo de ações e ocupações promove uma prática e engajamento que são importantes condutores das inter-relações, que por sua vez irão definir o espaço e suas camadas de compartilhamento, e afirmar uma forma de organização política.

CONFIGURAÇÃO – O ato de (re) organização de um espaço é o momento no qual nos apoiamos na prática das inter-relações e de trajetórias experimentadas, assim como é o processo vivido pelo designer da cena na sua pratica artística. É o momento em que se assume o poder, ainda que em resposta às negociações, aos conflitos e às trajetórias traçadas, nele, há de se ter cuidado com uma divisão superficial igualitária de um espaço, sob o risco de privá-lo de dinâmica. Bem como estar atento a não se limitar a enxergar um espaço como pronto, já territorializado, engessando as possibilidades de movimento e fluxo, comprometendo a ideia de trajetória e dificultando a transposição para alcançarmos as narrativas ali apresentadas.

O desafio aos curadores da Mostra de Países e Regiões ao adotar o conceito de ESPAÇO como POLITICA reside, portanto, sobre como (re) posicionar sua representação no espaço e como isso afetará os outros curadores com os quais fazem fronteiras. Os espaços destinados para a apresentação das Mostras de Países e Regiões são por si um desafio, por serem entrecortados e interconectados, forçando a uma exposição mais conceitual, que leva em consideração a intenção de cada um em ocupá-lo, não apenas como uma ideia plástica, mas como uma manifestação política.  A intenção está em constituir uma nova geografia para a PQ’15, não apenas um lugar, mas como ação, no qual são identificadas relações, agregadas ideias e imagens, passiveis de modificação, um estado pulsante. Esta construção se dará de maneira fragmentada e sua resultante estará diretamente ligada à escolha feita por cada curador e sua somatória.  Na escolha por um espaço e sua dinâmica ou orientação, o curador estará necessariamente assumindo o diálogo que irá propor aos trabalhos que irá apresentar e como irá se relacionar com os demais expositores.

Três vetores são propostos para nortear a dinâmica e a configuração dos espaços nesta construção por uma nova cartografia do desenho da cena:

ON STAGE │ ESPAÇO como INTERAÇÃO

ESPAÇO como o resultado de inter-relações

Espaço como a esfera da possibilidade da coexistência plural no qual ressoam múltiplas vozes da cena teatral contemporânea. Espaço no qual pretende-se romper com as comodidades e torná-lo dialético. Para aqueles que desejam desenvolver sua representação de acordo com este segmento, esta proposta consiste em trazer a coexistência para o ‘ESPAÇO DENTRO’, criando um território demarcado pela coexistência de valores, questões e tensões da sociedade, abrindo para o diálogo, convergente ou divergente, onde o conflito é bem-vindo. Considerando a possibilidade da permeabilidade do olhar e/ou de presença, a fim de promover a inter-relação.

AS A STAGE │ESPAÇO como TERRITÓRIO ABERTO

O espaço inacabado, em processo contínuo de construção.

Um espaço esférico, como um sistema aberto, desbloqueado para o imprevisível, dando a chance de promover uma autêntica (re) construção do desconhecido. A instabilidade como um potencial do espaço que nos conduz a um modo de olhar não apenas no plano da observação, mas da imaginação. O acidental, permitindo o movimento constante, a justaposição de camadas de narrativas, informações e distintas culturas, manter fluxo constante, mantendo-se vivo e possibilitando novos encontros e conflitos. Assim como um work-in-progress, o espaço é esférico no sentido em que assume a qualidade de lugar transitório, imaginário, no qual não há permanência, que está em constante transformação.

OFF STAGE │ESPAÇO como TRAJETÓRIA 

Explora a divisibilidade do espaço como atitude política.

Acontece no movimento, no deslocamento, na passagem, no transitório de um território a outro. O espaço em que coexistem distintas trajetórias e que pode ser inclusive impermanente. Assim como o EXTERNO, uma RUA ou PAISAGEM que se desenvolve interligando os espaços ou afastando-se deles. Uma trajetória tem também um sentido de fuga de um sistema existente, tornando o movimento de passagem provocador constante de inter-relações, tensionando aquele optou por permanecer estanque. Reforça o sentido de que nada está ileso na circunstância que relaciona o espaço público, a arte e a sociedade.

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