20 anos na PQ – 1995-2015

 

 PQ'99 Seção Temática Brasil cataloguePQ'99 Seção Temática Brasil 01

20 anos na PQ – 1995-2015

Passados 20 anos e cinco edições desde a primeira Quadrienal de Praga 1995 – PQ’95 em que participei pelo meu país, a minha sexta participação na Quadrienal de Praga 2015 – PQ’15 é mais uma grata e honrosa oportunidade de representar o Brasil e colaborar para esta Mostra única, como curadora internacional.

Minha primeira participação foi na 8ª Quadrienal de Praga, em 1995 – PQ’95, como assistente, em início de carreira, pautada pelo contraste entre o deslumbre e o questionamento, entre o cheio e o vazio.  O cheio evidentemente estava na beleza e repertorio apresentado pelos países, as magnificas exposições, maquetes, desenhos; o cheio diz respeito à incrível e incessante produção internacional do desenho da cena. O vazio estava na ausência… na dificuldade em identificar o artista por detrás e para além da obra ali presente. Em contrapartida, estava lá o aclamado cenógrafo de todos os tempos: Joseph Svoboda, apresentando em pessoa, a retrospectiva de sua incrível produção.

Para a nona edição da Quadrienal de Praga em 1999 – PQ’99 –  pela primeira vez, como co-curadora,  e designer da extinta Seção Temática. Em contrapartida à atualidade da Mostra Nacional, a Seção Temática era dedicada a temas livres, desde um recorte de caráter histórico, uma homenagem ou produção específica. Além de designer da exposição de 100m2, a demanda incluiu a produção da representação brasileira, envolvendo desde a logística de transporte até a contratação de equipe local, voluntários, etc. Nesta edição, às inquietudes emergentes da edição anterior parecem ter ecoado e, algumas respostas estavam ali presentes; ao lado da deslumbrante coleção de desenhos da cena do mundo todo, acenava a OISTAT, com um ainda tímido programa paralelo no qual designers levavam grupos ‘on tour’ pela exposição. Havia portanto sido estabelecido o elo, entre o artista e seu público, que para além de sua obra presente, concedia a chance de interlocuções mais profundas sobre processos, formação, entre outros.

Quatro anos depois do encontro com Svoboda, outra figura icônica da cenografia mundial, Ralph Koltai, estava lá, para a interlocução sobre ‘A Tempestade” de Shakespeare. A OISTAT  (www.oistat.org)   assim, para mim, revelou-se, naquele momento e até hoje, como um importante núcleo de prolíferos encontros e trocas no campo do desenho da cena.

A ação da OISTAT na 10ª Quadrienal de Praga em 2003 – PQ’03, ampliou-se com o lançamento da SCENOFEST- Festival de Cenografia, e assim, se sucedeu nas edições da 11ª Quadrienal de Praga em 2007 – PQ’07,  tornando-se um evento vibrante e ocupando o hall central do Palácio das Industrias “Vystaviste” – que um ano mais tarde, em 2008, sofreria um incêndio e traria transformações positivas e renovadoras para a dinâmica da PQ’. Nesta edição, como assistente de curadoria para a então Chefe da Comissão de Educação da OISTAT – Marina Raychinova – na seção BIRDS – realizavamos sessões diárias de crítica, envolvendo a produção de trabalhos de estudantes e jovens designers em debate com renomados designers da cena em diversas áreas.

Para a 12ª Quadrienal de Praga em 2011 – PQ’11 – na esteira do trabalho de colaboração com a OISTAT, já estava envolvida com a SCENOFEST como curadora do programa de Workshops, no segmento especifico das Dramaturgias Digitais, quando, a convite do curador geral da representação brasileira, Antônio Grassi, assumi a curadoria da Mostra Nacional Brasileira para a PQ’11, ao lado do colega, e também cenógrafo, Ronald Teixeira. Uma aventura que conduziu a consequências inimagináveis, ao desenhar a exposição da Mostra Nacional Brasileir,  para a conquista do prêmio máximo – a Triga de Ouro. Um momento indescrítivel ao ver na projetado na tela do Teatro Nova Scena, em Praga o rosa choque do madeirite e o nome do “BRAZIL” como o grande vencedor!

O que veio a seguir, desencadeado pelo sucesso artístico e curatorial na PQ’11 conduziu a olhares mais amplos, e ao mesmo tempo mais precisos sobre o papel do designer da cena, sobre o seu processo artístico, não apenas o resultado, como ‘obra’; como o acontecimento que proporciona uma experiência estética entre o artista e o público.  Assim, depois  da Triga de Ouro, a gratificante e inesperada consequência, foi o convite a integrar a 13ª Quadrienal de Praga em 2015 – PQ’15, como curadora internacional, parte da equipe artística da PQ’, colocando o Brasil em um importante lugar na história da Quadrienal de Praga, e para mim, um ciclo que se completa.

Desta ampla experiência junto à PQ’ por vinte anos e que representa um período extremamente produtivo, artístico e curatorial no campo da cenografia,  sinto=me como testemunha da continua e crescente mudança deset evento único e que acompanha seu tempo, não é estanque, pois procura não apenas acompanhar a produção contemporânea, não é sobre portfolio; mas  busca afirma-se contemporânea e apontar novas possibilidades para o futuro, tornando-se referência para o que está por vir no campo do Design para Performance. Através das exposições nacionais, a transitoriedade e efêmero do desenho da cena tem lugar de destaque na PQ’, a cada quatro anos, em um trabalho árduo de colaboração entre a equipe realizadora da PQ, curadores e designers do mundo inteiro, que continuam provocando a percepção e compreensão sobre a diversidade da produção artística teatral em diferentes contextos sociais e culturais e que trazem à tona, no evento da PQ, as questões mais atuais no que diz respeito à sociedade, cultura, história, identidade, filosofia e política.

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